Tem um pouco de tudo e do pouco tem muito. Tem areia no gravador da poeira que levantou nas andanças, nos terrenos do som que passou. Tem o sonho na agulha, o disco roda, a música toca, a cabeça gira; o corpo assimila a dança do tambor, do computador, do pífano, do sintetizador. Os cantos do mundo profanam com a batida: o sagrado é eletrificado pra falar mais alto pra vida. Tudo é misturado; música é remédio; música é comida. Universidade de Brasília, entre paredes, a música era invadida, uma por outra, e um já mixava enquanto ouvia. O DJ é aquele que transita, e vê no som o vai-e-vem da chegança e da partida. Das bandas de lá, Os Cachorros das Cachorras do Planalto Central, pras bandas de cá do Sudeste, muita coisa saiu do lugar em nome dos acontecimentos. Congados, Afoxés, Repentes, Batuques de tambor, maraca e pés, encontros no trabalho diário da fé, que tudo move e recria. No Terreiro du Passo é tudo um pedaço, cada um, o espaço da mesma fatia. A garrafada sonora é preparada e compartilhada, e o DJ de tudo é um pouco da vida. – Simone Sou CD de DJ com texto explicativo, falando um pouco a história de cada música, esquisito não? A diferença está em como vejo o papel do DJ no mundo. Para mim deve ser um circulador de novas informações, mesmo que sejam antigas, e não apenas uma juke box, onde ouviremos as mesmas músicas. Sempre precisaremos do novo, do desconhecido. Ampliar os horizontes, para o futuro e para o passado. O DJ precisa fazer alquimia, misturar, transgredir o comum, criar o espaço dionisíaco. A música pode nos conduzir para muitos lugares, para novas sensações. A música cura. Aqui está um trabalho feito em vários anos de forma não pensada para um CD, porém juntas mostram unidade, uma forma de pensar a música e a dança. Espero que possam ter uma excelente viagem com os elementos sortidos dessa garrafada.